quinta-feira, 26 de julho de 2012

Alunos unidos pelo retorno das aulas

Não sou contra que os professores e funcionários manifestem em busca de uma melhoria de salários e da qualidade das universidades. A questão é: essa é a melhor forma de manifestar?

Os alunos estão sendo altamente prejudicados. Não podem procurar estágio pois não sabem seus horários. Os que planejavam se formar esse ano não podem procurar emprego, pois agora não há mais previsão de formação. Alunos que ganharam bolsas de estudos no exterior não poderão viver esta experiência pois não finalizaram o último período.

Os calouros também serão prejudicados. Caso o período atrase, os cursos que recebem mais de uma turma por ano acumularão alunos do período que será perdido, causando a super lotação de turmas e diminuindo a qualidade do ensino.

Duas propostas do governo de aumento de salário já foram feitas e nenhuma previsão do final da greve. Se continuar desse jeito, o próximo período começará em novembro, dezembro ou até ano que vem.

Se o principal objetivo da greve é melhorar o ensino para nós, alunos, e valorizar a profissão do professor, o melhor meio de reivindicar é nos prejudicando?

Este blog será um espaço para que os alunos que estão se sentindo prejudicados pela greve possam se manifester e expor suas opiniões para que estas sejam visíveis aos participantes da greve.

16 comentários:

  1. Por Celeida Ribeiro:

    Parabéns por terem a coragem de expor suas opinões !

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  2. Por Bruno Andrade:

    Prevejo alienados te xingando, te chamando de burguês e umbigues, que é o mais novo adjetivo deles.
    Boa iniciativa a sua!

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  3. Por Nicolas Abreu Netto:

    Eu quero que pense no seguinte: o quão prejudicado você é com a greve? 6 meses de sua vida?

    Não mais que isso, tenha certeza.

    Agora, quanto que uma pessoa se auto-prejudica numa universidade? QUando o faz é pelo menos 6 meses.

    Na engenharia, o tempo de formação média é de 5.8 anos (dados da época em que eu fui calouro em 2009).

    Mas vamos dizer que você se sentiu extremamente prejudicado quanto a greve. OK - porque além de atrasar sua formatura, durante um período considerável de tempo os seus horários ficaram um caos.

    Agora vamos considerar um cenário hipotético, mas possível - e evidente no caso da engenharia.

    Digamos que não houvesse greve. Os professores ganham ainda a mesma coisa, e a média salarial de um professor do CT (fora as pesquisas) é de 13.000 (tomando como base o meu próprio departamento).

    A General Electric e a Siemens estão instalando um centro de pesquisa no Fundão - e precisam de 150 a 200 doutores. CADA. E te pergunto: de onde virão esses doutores? Bom, sei que boa parte será dos próprios doutorandos, mas nem isso será suficiente. Serão os nossos professores os absorvidos por esses centros. E sabe porque? Porque eles (e isso aconteceu no meu departamento) ofereceram apenas o dobro de salário para um professor meu. E outro também foi sondado.

    Se o salário do professor não for algo que ele se sinta confortável, e nem tentado a sair, teremos uma debandagem da faculdade.

    Aí me vem o a clássica: ah! mas o professor é professor porque gosta. Sim. Mas se ele tiver condição melhor (muito melhor) de salário, ele não cederia a isso?

    Claro que sim.

    E, te pergunto, o que aconteceria com a faculdade daqui a 20 anos?

    A faculdade só tem professor velho e professor novo. Não tem meio termo, porque passou uns 15 anos sem concurso. Os velhos estão morrendo e se aposentando. Os novos tem salário inferior, e a perspectiva de progressão de carreira é lenta.

    Eles irão debandar. E não sobrará um bom professor para contar história.

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    1. Excelente texto.

      Estive em intercâmbio acadêmico na Itália, quando ocorreu uma greve dos professores de 2 meses. Todos os alunos apoiaram o movimento, foram as ruas junto com os professores. Minha experiência lá foi muito curta, mas evidencia a diferente postura dos Europeus (que tanto admiramos) em relação aos brasileiros. Aqui uma minoria luta pelos seus direitos e os professores, nessa atual conjuntura, fazem parte dessa minoria. Movimentos como esse devem ser exemplos no Brasil.

      Outro ponto é o egoísmo dos alunos perante a greve, um egoísmo inclusive com o nosso futuro. Não apoiar a greve significa se colocar em uma posição onde 6 meses de atraso são mais importantes do que: (1) a educação brasileira (que já é muito fraca e um dos principais fatores pela falta de competitividade nacional, onde o Brasil figura entre os piores do mundo!) e (2) a possibilidade futura de podermos colocar nossos filhos em universidades públicas, gratuitas de qualidade. Nem no nosso futuro estamos pensando não apoiando a greve, estamos apenas focando no curto prazo.

      Não existe fórmula mágica para transformar um país subdesenvolvido em desenvolvido, requer muitas batalhas para se ganhar a guerra, e essa é uma dessas batalhas. Mesmo que nossa colaboração seja apenas apoiar os professores, ainda que nos prejudicando no curto prazo.

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    2. Acho um completo absurdo falar que só iremos perder 6 meses da nossa vida, você esqueceu de considerar pessoas que passaram em algum processo seletivo pra uma grande empresa ou passaram em concurso publico e não poderão assumir a vaga.

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    3. Nícolas Abreu Netto26 de julho de 2012 às 20:59

      menos de 20% dos alunos (para não dizer menos ainda) se forma no prazo certo. É hipocrisia culpar, agora, os professores porque vão perder oportunidades de trabalho.

      É hipocrisia achar que quem estuda na UFRJ tem dificuldade de arranjar emprego. Na época que meu pai estudou era MUITO mais difícil de se arrumar emprego (estágio nem era obrigatório porque era praticamente impossível de se conseguir), e quando tinha greve nao aparecia gente reclamando "ui, vou me atrasar".

      Um completo absurdo, devo dizer, é querer comparar a sua situação de curto prazo com a situação de longo prazo do futuro do seu país.


      Mas uma coisa eu tenho que admitir, esse governo conseguiu fazer a população ser contra a greve, vejam só. Um povo que não luta pelos seus direitos. Porque nem aqueles que são a favor, estão lá lutando.

      Todo mundo fica passivo, esperando o governo fazer alguma coisa. E o governo nunca faz nada.

      Eu quero que meus filhos façam uma boa universidade pública. E para isso EU preciso fazer acontecer.

      E na medida do que posso, tenho feito. Não sou lider, não sou comunista, não sou esquerdista. Sou apenas alguém que quer que as coisas sejam certas - e justas.

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  4. Por Vitor dos Santos Sousa:

    Realmente isso é inaceitável , tem muito doutor aí que adoraria dar aula na UFRJ pelo salário que eles dizem . E se a general eletric quer pegar os professores que peguem . Eu ja to cansado desse papo de prezar pela qualidade , é melhor funcionar mal do que não funcionar .

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  5. Por Alix Gabriel:

    Vão então cobrar isso do governo. Pois greve é isso mesmo, tem que causar impacto social para demonstrar o quanto o trabalhador é necessário ao país, o quanto o país depende da sua mão-de-obra. Portanto não culpem os professores e técnicos que são vítimas de arrochos salariais e coações, mas pressionem o governo e sejam contra sua política atual de enfrentamento da crise que privilegia bancos e pagamento de dívida, não contra a greve que é direito legítimo de todo e qualquer trabalhador. Lutemos por uma educação melhor, com melhores condições e mais crítica para uma formação mais justa da sociedade, e não simplesmente pelo próprio diploma que só engordará seu próprio bolso.

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  6. Olha não sou contra a greve, só acho absurdo uma greve que estava programada para inicio de agosto, ou seja o perido nem começar, como na UERJ, ser adiantada e começar faltando 3 semanas paras as aulas acabarem, já estavamos na reta final do periodo, fazendo as provas finais e simplesmente começa-se uma greve?!?! E outra o ministro desde SEMPRE vem dizendo que antes de agosto NÃO haverá acordo, então eu lhe pergunto pq entrar em greve nesse momento?? Sou da UERJ e os professores sempre souberam dessa informação, logo a greve iria ser iniciada só em agosto, mas como estava no auge a greve das federais os professores da UERJ decidiram começar no final do periodo! Volto a dizer não sou contra a greve, mas acho que os professores deveriam pensar um pouco mais nos alunos!

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    1. Carolina, a greve nao poderia começar em agosto por alguns motivos, e voce esta desinformada ao dizer essas coisas. A negociação com o governo vem tentando ser feita desde 2011. Ano passado estavamos em eminencia de greve e esta só nao rolou, pois o governo afirmou que iria fazer devidas mudanças até abril desse ano; como obviamente as mudanças nao ocorreram, a greve então se instaurou. Porque nao acabar o período? Estamos lutado por mudanças na utilização do dinheiro público, e a utilização, por ministério é definida pela Lei de Diretrizes Orçamentárias, que é votada EM AGOSTO, para definir estes gastos para o proximo ano, ou seja, o ano de 2013. SE deixássemos para protestar apenas após esta data, as mudanças só se dariam para TALVEZ 2014; e como voce e eu sabemos, é ano de Copa. Voce realmente acha que isso aconteceria?
      Como estudante de Escola Pública, você sabe melhor qual é a situação enfrentada no dia a dia das faculdades. Mínima infra-estrutura, Salas lotadas, falta de professor, etc. A situação já esta no seu limite... Imagine esperar mais 2 anos pra TENTAR conseguir algo? Essa é a hora, nao se engane.

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    2. Nícolas Abreu Netto26 de julho de 2012 às 21:02

      A greve pode durar 3 meses, sem que haja prejuízo didático. 3 meses após o 17 de maio (inicio) dá quase que no final de agosto (31 de agosto é o limite), assim, não foi equivocado.

      Procure ver quantas reuniões o governo desmarcou (e desde o ano passado se tenta negociar).

      E mais, sabia que o ministro foi para Londres?

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    3. Camila eu estudei em escola publica e na época em que eu estudei a escola entrou em greve, alegando sempre os mesmos motivas, melhoria no ambiente de trabalho e aumento nos salarios, porem foi só sair o aumento no salario que a greve acabou, e isso se repete a anos, então eu lhe pergunto é realmente pela melhoria na infra-estrutura??? Desculpe eu não acredito, por que se fosse, eles não teriam parado a greve só com o aumento.

      Nicolas eu estudo na UERJ e a greve de lá começou dia 11 ou 12 de junho, sendo o final de periodo programado para inicio de julho, ou seja um pouco menos de 1 mes!

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  7. Eu entendo que os alunos sejam contra a greve por se sentirem lesados. Isso é mais do que óbvio. Afinal, o objetivo de uma greve é justamente gerar algum tipo de transtorno e mostrar a importância desses profissionais dentro do país.

    Agora, o papel dos alunos é ser contra a greve perante ao Governo, exigindo que as propostas sejam discutidas e atendidas para que as necessidades do serviço público de ensino sejam atendidas e as aulas voltem a sua normalidade. Culpar os professores não faz qualquer sentido. Assim como os alunos, os professores também não querem greve. O fazem por julgar que a situação é extrema.

    O que se espera do universitário não é só a dedicação a formação para obter um diploma e ir ganhar dinheiro depois, mas também se preocupar com a sua sociedade, estando presente e sendo exemplo. Até porque, são lá 200 milhões de brasileiros bancando seus estudos, sem nem saber que essas universidades existem. Então, eles merecem mais do que a preocupação de estudar em janeiro e fevereiro ou levar mais alguns meses para se formar.

    Se você acha a greve um absurdo e tudo o mais, reclame com o Governo! São eles que devem mudar a situação e não os servidores que tem sido prejudicados.

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  8. Acho interessante que se fala que greve não é o único nem melhor meio de reivindicar mas nunca vi comentarem qual seria uma alternativa.

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  9. Gostaria de ressaltar o seguinte trecho extraido do blog : "Posso garantir que a UFRJ está no mesmo padrão e creio que as outras universidades federais também." (comentário sobre a "BOA "qualidade da infra-estrutura das instituições federais de ensino). Bom, Lívia, sei que voce é aluna de engenharia, entao peço que avalie CAUTELOSAMENTE as condições dos outros "núcleos de ensino" de nossa estimada UFRJ... As condições das salas dos cursos de humanas e biológicas. As condições do HU, alojamento.... etc. Entendo que haja a sua preocupação quanto a efetividade de êxito com relaçao a GREVE em si, mas peço que avalie melhor o movimento. Se o fizer, descobrirá que o movimento que gerou essa greve teve início em 2010. Devido a falta de consenso entre governo federal e professores, a greve fez-se necessária agora em 2012. Greve é sempre a última opção, acredite . Agora, pergunto-te, voce sabia disso ? Voce sabia desse movimento a favor da melhoria das condições de educação do País ? Se sabia, fez algo a respeito ? Agora percebe como a greve é necessária ? Se as pessoas fossem mais conscientes, as greves nao existiriam, mas, infelizmente, não são. Por favor, reveja seus conceitos e crie argumentos consistentes.

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    1. Concordo plenamente.

      A posição contra greve da forma que vem sendo defendida está recheada de falácias e generalizações infantis. Como qualquer discussão com credibilidade, deve-se trabalhar com dados reais.

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