segunda-feira, 30 de julho de 2012

Continuar por quê?

Gostaria de comentar um artigo que li de um professor da UFSM.

Concordo plenamente com tudo dito nesse artigo. Vale ressaltar o seguinte parágrafo:

"Greves são instrumentos eficazes em fábricas, onde os responsáveis pelos salários dos funcionários (os donos das empresas) são os maiores prejudicados. Nas universidades públicas, as greves não têm esse mesmo efeito, pois os principais prejudicados são os estudantes, e não os responsáveis pelos salários dos professores (governo federal). Greves de professores prejudicam também a produção intelectual e tecnológica. Mas esse prejuízo é imponderável, e seu peso só se faz sentir com o passar dos anos – novamente, um mecanismo de pressão ineficaz no presente."

Na Folha de São Paulo, saiu a notícia no dia 28 de julho com a fala do ministro da educação, Aloizio Mercadante, na qual ele diz que a proposta de aumento de salário dos professores não vai melhorar. Link da notícia: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/1127464-proposta-feita-a-professores-grevistas-e-a-final-diz-ministro.shtml

Segundo o professor, Rogério Passos, os salários dos professores federais é alto. O que os inclui entre menos de 3% da população que ganha mais que 10 salários mínimos. Com a nova proposta do governo, o salário inicial iria para 10 mil reais.

Para os que gostam de ressaltar que a proposta não foca só no aumento salarial, destaco o seguinte parágrafo:

"As condições atuais de trabalho na UFSM e em outras federais são excelentes: muitos professores não lecionam para mais do que três turmas por semestre (12 horas/aula por semana) durante não mais do que oito meses por ano, além de terem sala, computador, telefone, impressora, biblioteca e ar-condicionado à disposição. Universidades de primeiro mundo não oferecem condições melhores."

Posso garantir que a UFRJ está no mesmo padrão e creio que as outras universidades federais também.

Para os altruístas que estão tão preocupados com os futuros alunos, gostaria de perguntar se as greves de anos atrás solucionaram os nosso problemas atuais. Vocês acreditam mesmo que daqui a 5, 10 anos não haverá outra greve?

Agora eu me pergunto, até quando essa greve vai continuar sabendo que as chances de melhoria da proposta são pequenas, sabendo que os alunos estão sendo altamente prejudicados (e não o governo federal) e sabendo que os salários dos professores já são bons? Espero que não por muito tempo...

7 comentários:

  1. Excelentes colocações! É claro que nosso sistema de ensino, assim como nosso país de uma maneira geral, tem grandes problemas. Mas precisamos ser racionais e coerentes. Não dá para manter a greve a qualquer custo, porque os professores infelizmente não atingem somente o governo. Aliás, o governo é o menos afetado nessa história toda, que prejudica muito mais alunos, universidades e os próprios professores.

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  2. "Posso garantir que a UFRJ está no mesmo padrão e creio que as outras universidades federais também"

    Discordo, uma breve visita ao Prédio de Serviço Social na Praia Vermelha (sem teto desde o incêndio do ano passado) ou à EEFD (onde várias turmas estão tendo aula em tendas improvisadas ou em containers) ou na Reitoria (onde alunos da EBA estão sofrem com a falta de água e tinta) ou no CCS (onde os alunos de vários cursos sofrem com o estado extremamente precário do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho) prova que a sua afirmação está errada.

    O CT e o CCMN estão em boas condições, isso sim, mas somente devido à existência da iniciativa privada vinculados a projetos externos. Essa é a Universidade Pública que queremos?
    Uma universidade paga pelo dinheiro do povo mas que funciona para enriquecer a burguesia?

    Eu sou estudante do CCMN, eu quero me formar, mas aceito me atrasar um ano para lutar por uma educação pública de qualidade que funcione para o melhor interesse da população. Então por isso sou a favor da greve.

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    1. Quanto às outras federais, creio que é uma generalização errônea a sua afirmativa. Uma vez que ignora por completo o investimento desigual por parte do Governo Federal. Basta observar a situação da UNIRIO ou da UFRRJ que é muito mais precária que a da UFRJ.

      E isso é dentro do estado do Rio de Janeiro. Busque em federais do interior do país e verá que as desigualdades são ainda maiores.

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  3. Gostaria de ressaltar o seguinte trecho : "Posso garantir que a UFRJ está no mesmo padrão e creio que as outras universidades federais também." (comentário sobre a "BOA "qualidade da infra-estrutura das instituições federais de ensino). Bom, Lívia, sei que voce é aluna de engenharia, entao peço que avalie CAUTELOSAMENTE as condições dos outros "núcleos de ensino" de nossa estimada UFRJ... As condições das salas dos cursos de humanas e biológicas. As condições do HU, alojamento.... etc. Entendo que haja a sua preocupação quanto a efetividade de êxito com relaçao a GREVE em si, mas peço que avalie melhor o movimento. Se o fizer, descobrirá que o movimento que gerou essa greve teve início em 2010. Devido a falta de consenso entre governo federal e professores, a greve fez-se necessária agora em 2012. Greve é sempre a última opção, acredite . Agora, pergunto-te, voce sabia disso ? Voce sabia desse movimento a favor da melhoria das condições de educação do País ? Se sabia, fez algo a respeito ? Agora percebe como a greve é necessária ? Se as pessoas fossem mais conscientes, as greves nao existiriam, mas, infelizmente, não são. Por favor, reveja seus conceitos e crie argumentos consistentes.

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  4. Voce é da engenharia, filhota... Vem querer se formar aqui em Letras ou la na EEFD.

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  5. Como é!? É difícil se formar em Educação Física?

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  6. Livia, eu concordo com tudo o que você diz, menos com a parte da infra-estrutura..mas há controvérsias também... eu sou aluna de arquitetura na UFRJ e não digo que as salas estão inabitáveis, mas a maioria tem janelas quebradas,bancos e mesas quebrados, armários quebrados e não possuem ar condicionado...

    ENTRETANTO, eu já presenciei muitos alunos quebrando as coisas, quebrando bancos, um uma vez estava pulando em cima de um banco do corredor até quebrar o assento, e quando eu perguntei qual a graça, ele disse que era publico, portanto fazia o que queria...genial né...
    Já vi muuitas, mas muuuitas mesas serem destruidas por estiletes porque as pessoas se recusam a usar uma base de corte, afinal, nada demais destruir as mesas...
    E quanto aos armários, uma amiga minha reformou um pra ela, com o dinheiro dela, comprou porta nova e tudo, e alguns dias depois ele foi simplesmente arrombado, quebrado, totalmente destruido...

    Ai fica dificil né, não adianta nada o governo dar uma nova infraestrutura se alguns alunos da própria faculdade destroem... talvez fosse mais importante instalar cameras de segurança nos corredores e nas salas, para poder identificar atos como esses e evitar que tudo seja destruido por puro vandalismo...

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